Crítica: Paraíso (2023, de Boris Kunz)

A grande questão do filme ao meu ver é: Qual o real valor de uma vida? E o quanto dela você está disposto a vender. Confira o que achamos do filme a seguir!

Exploração numa sociedade distópica é um tema bem conhecido do cinema, afinal, a desigualdade é algo que nunca sai de moda e consegue, quando trabalhado bem, incomodar e criar uma história cheia de reveses e porque não, de luta. Aqui não seria diferente, em um futuro próximo, a tecnologia avança em níveis quase surreais, enquanto a pobreza e a desigualdade seguem no mesmo ritmo.

O tempo se torna dinheiro, literalmente. Graças a uma nova tecnologia, a morte é apenas uma palavra caso você tenha dinheiro suficiente, claro. A princípio me lembrou de um filme que gosto bastante, O Preço do Amanhã, onde a vida era contada em números. Aqui, caso você tenha sorte, pode vender seus anos de vida, por um preço justo. Quantos anos você está disposto a dar para realizar algo? 2 anos? 15? 30?

Nossos personagens principais são levados para dentro dessa realidade quase que à força, quando seu apartamento é destruído em um incêndio, a grande questão é, a apólice era a vida de Elena (Marlene Tanczik), que teve quarenta anos arrancados do dia para a noite. Seu marido, Max (Kostja Ullmann) que até então concordava e inclusive trabalhava para a empresa AEON que estava por trás disso, finalmente percebe o quão baixo tudo isso pode chegar, mas não vamos falar de falsa moralidade, já que ele próprio convencia pacientes em potencial para vender seus anos de vida. O jogo só virou quando ele foi afetado pessoalmente.

E é aí que a história toma forma. É bem interessante ver até onde eles são capazes de chegar para tentar reverter o que houve e como a história é levada para um outro rumo, onde vemos a realidade por trás de todo esse universo. Temos violência, os clássicos aproveitadores, o submundo de “transfusões” de vida, onde figurões e gente de qualquer estirpe que tem dinheiro, consegue seus anos a mais à custas de inocentes. E temos Elena e Max.

O roteiro se aprofunda na medida certa ao introduzir todas essas nuances, e inclusive acerta ao desenvolver a história desse casal, e mais ainda quando não se torna óbvio o que está por vir. Somos levados a acreditar que determinadas partes da história já estão certas quando, de repente, tudo muda, e muda, e no fim, nos encontramos em um novo leque de possibilidades. Não ser óbvio é o grande acerto aqui.

Por fim diria que o filme nos mostra a grande natureza humana. O que somos capazes de fazer para conseguir o que queremos, o que somos capazes por dinheiro e principalmente, o que somos capazes de fazer para evitar a morte, até então, a única certeza absoluta em vida.

Título Original: Paradaise

Direção: Boris Kunz, Indre Juskute, Tomas Jonsgârden

Duração: 116 minutos

Elenco: Kostja Ullmann, Marlene Tanczik, Iris Berben, Corinna Kirchhoff, Numan Acar, Lucas Lynggaard Tønnesen, Gizem Emre

Sinopse: A produção alemã original do streaming segue um homem que trabalha em uma empresa de doação de tempo e que acaba desenvolvendo uma enorme dívida. Para quitar o déficit, a esposa dele precisará renunciar a 38 anos da própria vida.

TRAILER:

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