Crítica: Não me Abandone Jamais (2010, de Mark Romanek)


Baseado no best-seller de
Kazuo Ishiguro, o longa ‘Não me Abandone Jamais’ estreou em 2010 e dividiu a
opinião do público. A sinopse gira em torno de três adultos que quando
crianças, tiveram o rumo
 da história de suas vidas mudado para sempre. Ao crescerem, eles descobrem
que precisam enfrentar a força do amor que sentem um pelo outro, enquanto se
preparam para a assombrosa realidade que os aguarda. Sendo assim, ele é mais um
que se encaixa no dilema “ame ou odeie”. Um drama forte que trata de um assunto complexo, mas comovente.




Ruth, Kathy e Tommy são amigos íntimos que cresceram juntos num
internato inglês, local que possui um segredo assustador. Quando descobrem a cruciante
verdade – que eles são clones produzidos geneticamente para serem doadores de
órgãos – eles se agarram ao breve tempo que lhes resta para viver e amar. Com
um enredo desses, como não se interessar, não é? É curioso notar que este filme
se trata de eventos fictícios a todo o momento, porém ao mesmo tempo faz
comparações com o mundo real, interligando fatos que embora ainda não existam,
chocam ao espectador e fazem com que nós o assistamos até o desfecho. Desde o
início, somos transportados para a infância dos três jovens, que foi marcada
por disciplinas rígidas nas questões de alimentação e manutenção do corpo
saudável. Eles foram criados praticamente sem contato com o mundo exterior na
misteriosa escola e sempre foram muito unidos, mas todas as ligações de suas rotinas baseada em costumes não convencionais estão prestes a serem rompidas no exato
instante em que uma revelação surpreendente sobre doação de órgãos for dita. Óbvio que depois de muitos anos, o
clima de romance entre Ruth e Tommy começa a incomodar cada vez mais Kathy e o
que ela tanto temia aconteceu: os dois ficaram juntos no resto
do tempo deles no colégio. Ela, orgulhosa, ficava torcendo para que se separassem,
pois Kathy também sentia atração por Tommy. No entanto, um
evento complicado ocorrido naquela época nos deixa amargurado, afinal
quando pensamos que um pequeno par romântico está se formando, vem a surpresa e altera os fatos.

Com relação ao elenco:
temos Carey Mulligan, de ‘Em Busca de Uma Chance’ e ‘O Grande Gastby’, como a
protagonista principal, Kathy H. e 
Izzy Meikle-Small quando criança. Não é atoa que
sua atuação foi indicada ao Oscar, porque Mulligan dá um show de interpretação;
ora ela faz com que tenhamos pena, ora que sintamos raiva dela. No entanto, é
impressionante a maneira que ela trabalha os diálogos, nos envolvendo com suas
citações reflexivas; palmas para a atriz! Já Andrew Garfield, de ‘O Espetacular
Homem-Aranha’ e ‘99 Casas’ foi mediano; esperava um pouco mais do ator. Seu
personagem Tommy (
interpretado por Charlie Rowe quando criança), é alguém que está em conflito com os próprios sentimentos,
pois se vê dividido entre suas duas amigas e não consegue decidir pra quem
deve declarar sua verdadeira devoção. Claro que em certas partes, Garfield
extravasa e possivelmente assusta o telespectador. Não obstante, seu desempenho foi tão complicado que rende
uma das cenas mais tensas e tocantes do longa (ela inclusive consta na
inadequação da censura). Contamos ainda com a presença da belíssima Keira
Knightley, de ‘Orgulho e Preconceito’ e da franquia ‘Piratas do Caribe’, no
papel de Ruth, mulher cuja personalidade é bem suspeita. Há momentos em que
sentimos dó de sua personagem e outros em que não a vemos como a “moça
boazinha” de tudo. Ainda assim, sua performance (que também foi indicada ao
Oscar) está de parabéns! O restante de coadjuvantes, tais como: Domnhall
Gleeson, de ‘Questão de Tempo’, Ella Purnell, de ‘Intrusos’, Charlotte Rampling,
de ‘Melancolia’ e Sally Hawkins, de ‘Godzilla’ (2014) interpretaram bem seus
papéis e todos têm sua relevância equilibrada no decorrer da película.

O roteiro é meio complexo, poucos irão entender seu contexto, mas os que compreenderem a
mensagem por trás dele vão certamente se deleitar com essa história. Ambos primeiro,
segundo e terceiro ato retratam a figura de amores arruinados por uma sociedade
egocêntrica que sacrifica jovens em nome de uma ciência antiquada. Com duração
em torno de 1 hora e 40 minutos, a trilha sonora composta por Rachel Portman também optou
por trazer faixas angustiantes e que certamente nos cativam.


Em suma, diria que é uma
obra sensacional que nos faz refletir sobre o tempo (que para muitos é o pior
inimigo) e como sempre achamos que temos o bastante dele pra tudo, quando na verdade ele desaparece num “estalar de dedos”. Recomendo aos fãs
de filmes com gêneros mesclados; no caso aqui o drama e a ficção que andam de
mãos dadas. Quero muito ler o livro em breve. Inclusive, sem dúvidas assistiria
novamente, pois valeu o entretenimento e acima de tudo o realismo!

Nota: 8,5

Título Original: Never Let Me Go


Direção: Mark Romanek


Elenco: Andrew Garfield, Carey Mulligan, Keira Knightley, Andrea Riseborough, Anna Maria Everett, Charles Cork, Charlie Rowe, Charlotte Rampling, Damien Thomas, David Sterne, Domnhall Gleeson, Ella Purnell, Huggy Leaver, Izzi Meikle-Small, John Gillespie, Kate Bowes Renna, Lydia Wilson, Monica Dolan, Nathalie Richard, Sally Hawkins, Sylvie Macdonald.


Sinopse: Ruth (Carey Mullingan), Kathy (Keira Knightley) e Tommy (Andrew Garfield) são amigos desde a infância e cresceram num ambiente que consideravam idílico. Quando entram na idade adulta, têm de lidar com o amor que os envolve, os desafios do futuro e o que há de obscuro em seu passado.


Trailer:

BÔNUS:


Citações:



“É uma vergonha, porque nós nos amamos durante a vida toda. Mas no fim, não podemos ficar juntos para sempre.”
(Tommy)


Mais imagens do filme:









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