ELYSIUM (ELYSIUM, EUA, 2013)

(Crítica publicada por “Anjo Da Guarda”, com seu nome
original, no caderno de Cinema da Rede Bom Dia de jornalismo, edição de
Itatiba, São Paulo)
 
 
 

“Infelizmente filme sucumbe. Críticas sociais tão promissoras se perdem
totalmente em trama que se entrega a ação barata demais. O que era pra ser uma
das grandes surpresas figura como uma das grandes decepções do ano.” 


 



 


Quando o sul-africano
radicado na Canadá, Neill Blomkamp, anunciou em 2011 qual seria seu próximo
projeto, fez-se um silêncio de apreensão. Afinal, depois de ter sido indicado
há 4 Oscars em 2010 por “Distrito 9”, um verdadeiro “arrasa quarteirões” que
revigorou os ideais de ficção científica, o que mais poderia se esperar? Mas
uma distância existe entre o que se espera e o que se é de fato. E a realidade
é que esse projeto que estreia nesta sexta-feira nos cinemas do país, “Elysium
(Elysium, EUA, 2013), é uma grande decepção. Infelizmente. Na realidade, para
“Distrito 9”, Neil contou com o apadrinhamento de Peter Jackson (o humilde
diretor de “O Senhor dos Anéis”, a bilheteria “monstra” da história do cinema),
pois o projeto era tão autoral e autêntico que Peter não pensou duas vezes. O
filme trouxe um visual arrojado, uma crítica que surgiu como um “tapa na cara”
da Europa e conquistou de imediato. Para compor “Elysium” Neil contou com o
banco da Sony que aceitou o projeto, ele mesmo escreveu o roteiro e tudo era
muito promissor. Ainda assim alguma coisa faltou. Seria o nome de Peter?
 





A premissa, não tão original, seria a grande
deixa para a grande crítica social de Neil, o que muita se espera. No filme o
mundo, como sempre, não é mais o mesmo, ele está totalmente destruído e só
restaram os pobres, pois os ricos foram morar num complexo fora da terra, uma
estação espacial complexa  justamente
chamada de “Elysium” que conta com tecnologia, perfeição e a administração de
uma mulher (Jodie Foster, vilã que perde o espaço). Aqui em baixo o grande
problema é a saúde, que assim como o mundo está devastada, enquanto lá em cima,
em qualquer casa, é possível encontrar uma máquina de cura. Assim surge um
mocinho (Matt Damon) que precisará de uma cura em menos de 5 dias e que põe na
cabeça que precisa ir para a charmosa Elysium. Para isso ele se alia a um
contraventor (o brasileiro Wagner Moura) que manda pessoas ilegalmente para o
espaço, a maioria necessitada de cura. E é exatamente assim o enredo, nem é
preciso dizer mais nada. Lógico que surge uma mocinha (a brasileira Alice
Braga) e um vilão (Sharlto Copley, o protagonista de “Distrito 9”). E o que era
para ser uma trama original se perde num ritmo frenético de ação, socos e
pontapés.
 
 O visual lembra o filme anterior do diretor, com robôs em meio a
humanos e com uma precariedade gritante. A diferença é que enquanto “Distrito
9” focava somente em Johanesburgo, aqui a complexidade aumenta para todo o
planeta, mas a ideia permanece vaga. E fica barato demais criticar a sociedade
dizendo que a riqueza segrega a pobreza e compra exatamente tudo. Fica barato
demais usar como veia transmissora de mensagem a questão da saúde, tão defasada
e que vai muito mais além de uma esperança numa máquina. Enfim, infelizmente o
que era para ser uma crítica de força e uma ficção científica robusta, torna-se
um grande resumo. A presença dos brasileiros foi elogiada, Alice Braga mais
previsível e Wagner Moura, em sua estreia internacional, muito eficiente. É ele
mesmo quem rouba a cena durante o longa, um personagem um tanto revolucionário
e que não descansa. Ainda bem, pois Matt Damon realmente carrega o filme nas
costas.

 









NOTA: 5
 
 
 

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