As Grandes Parcerias do Cinema: #1 – Martin Scorsese & Robert De Niro


Matéria elaborada pelo colaborador Luis Schuh Bocatios


Começa hoje no Minha
Visão do Cinema
a série de matérias As
Grandes Parcerias do Cinema
, que contará a história destas, sejam elas
entre diretores e atores, compositores ou roteiristas. Para estrear a série,
nada melhor do que falar sobre uma das parcerias mais icônicas da história do
cinema, que marcou um dos períodos mais importantes de Hollywood, a chamada Nova Hollywood: Martin Scorsese & Robert De Niro.

 

Ambos de origem italiana, Scorsese e De Niro cresceram no
bairro de Little Italy, em Nova York, mas, apesar dos dois afirmarem que já
haviam se cruzado nas ruas do bairro, se conheceram apenas no começo dos anos
70, quando foram apresentados pelo diretor Brian De Palma (
Carrie – A Estranha, Um Tiro
Na Noite
, Scarface), que era
muito amigo de Scorsese e havia trabalhado com De Niro em
Olá, Mamãe!, seu filme lançado em 1970. Segundo Scorsese, De Niro,
conhecido por sua personalidade introvertida e calada, caiu no sono na mesa de
um restaurante na primeira conversa que os dois tiveram, em um encontro marcado
por De Palma. Mal sabia ele que, com o simples ato de apresentar dois amigos, estaria
mudando a história do cinema.
 

Em entrevista ao Dick Cavett Show no ano de 1978, Scorsese
destacou a versatilidade, imaginação e capacidade de improviso do ator como
algumas de suas grandes qualidades. Ao homenagear o amigo no Kennedy Center
Honors em 2007, o diretor declarou que “Não há uma linha entre a realidade e a
ficção, há apenas verdade, e ninguém acha essa verdade melhor que Robert De
Niro.”

 

Por sua vez, De Niro foi perguntado muitas vezes sobre as
vantagens de trabalhar com Scorsese, e sempre destacou que o diretor faz seus
atores se sentirem muito confortáveis e confiantes, ao sempre estar aberto a
improvisos e ideias propostas por eles, e até encoraja essa prática, além de,
por seu talento como diretor e conhecimento de cinema, sempre deixar os atores
com a certeza que seus melhores takes serão escolhidos, e suas performances
serão elevadas na montagem, ao invés de destruídas, como acontece com outros
diretores.

 Vamos agora relembrar os icônicos filmes desta dupla


1) Caminhos
Perigosos (Mean Streets, de 1973)

 

O primeiro filme da parceria entre os dois é, também,
considerado por muitos como o primeiro grande filme da carreira de Scorsese.
Altamente inspirado em
Os Boas-vidas
(
I Vittelloni, 1953), de Federico
Fellini, o filme mostra o dia a dia de Charlie – interpretado por Harvey
Keitel, colega de faculdade e outro colaborador frequente de Scorsese – e
Johnny Boy – De Niro – dois jovens que habitam os bairros italianos de Nova
York e enfrentam o cotidiano de suas realidades.
 

Um divisor de águas na carreira de Scorsese – que já havia
realizado três longas anteriores a este –  Caminhos
Perigosos
é, em grande parte, sobre a experiência do diretor crescendo em
Little Italy, e já introduz um dos temas que definiria sua obra, que é a máfia
– gênero que acabou por marcar a carreira do nova-iorquino mais do que qualquer
outro.

Após Caminhos
Perigosos
, Scorsese dirigiu Alice Não Mora Mais Aqui (Alice Doesn’t Live
Here Anymore
, 1974) – filme que rendeu o Oscar de Melhor Atriz à Ellen Burstyn
– e, logo depois, retomou a parceria com De Niro, em um dos filmes mais
marcantes da carreira de ambos e da Nova Hollywood como um todo.

 

2) Taxi
Driver, de 1976

 

Taxi Driver foi
lançado em 1976 e segue Travis Bickle – De Niro – que, após sofrer por meses
com a insônia, decide começar a dirigir um táxi durante a noite. Com momentos
de violência extrema, especialmente levando em conta os parâmetros da época, o
filme causou um escândalo quando foi lançado e foi o centro de muitas polêmicas
durante alguns anos – como quando, em 1981, Ronald Reagan, então presidente dos
Estados Unidos , sofreu uma tentativa de assassinato, e John Hinckley Jr.,
autor do atentado, declarou ter assistido à
Taxi Driver repetidas vezes, se identificado com Travis e se
apaixonado por Iris (Jodie Foster, em seu primeiro papel relevante) –
prostituta de 12 anos que tem um papel importantíssimo no filme – o que gerou o
início de uma obsessão de Hinckley que o levou a seguir a atriz ao redor do país
e enviá-la inúmeros bilhetes, cartas, poemas e mensagens de amor. Em 1982,
Hinckley foi julgado, considerado inocente por motivos de insanidade mental e
internado em um hospital psiquiátrico.
 

Estudo de personagem com estética inspirada na
nouvelle-vague francesa, o filme, apesar da controvérsia, foi um grande sucesso
de público – custou 1 milhão de dólares e arrecadou quase 30 milhões na
bilheteria – e amplamente aclamado pela imprensa, embora sua violência tenha
incomodado a muitos críticos. Em uma entrevista no início dos anos 80, o
lendário cineasta sueco Ingmar Bergman (Morangos
Silvestres
, O Sétimo Selo, Persona, Sonata de Outono, entre outros) foi perguntado sobre o que achava
do uso da violência no cinema, especialmente em Taxi Driver, e respondeu que
“há filmes que usam a violência de uma maneira limpa e outros que a usam de uma
maneira suja, quase pornográfica. Eu não falarei sobre violência pornográfica,
porque eu acho não há nada de artístico sobre ela, mas acho que o filme de
Scorsese trata da violência da maneira mais artística possível”.
 

O filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes e foi indicado ao
Oscar em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (De Niro), Melhor Atriz
Coadjuvante (Jodie Foster) e Melhor Trilha Sonora (Bernard Hermann, conhecido
por suas trilhas para os filmes de Alfred Hitchcock, morreu logo após terminar
de trabalhar na trilha do filme), mas saiu de mãos vazias da premiação da
academia, que escolheu Rocky – O Lutador
como vencedor. Hoje em dia, é considerado um marco no cinema americano e um dos
melhores filmes de todos os tempos.

 

3) New York, New York, de 1977

 

Após o sucesso de Taxi
Driver
, a dupla se arriscou no musical New
York, New York
, que, segundo Scorsese, era uma tentativa de romper com o
estilo realista pelo qual o diretor ficou conhecido, além de uma homenagem aos
musicais da era de ouro de Hollywood – para completar essa homenagem, o diretor
escalou como protagonista a atriz Liza Minelli, que é filha da atriz Judy
Garland (de O Mágico de Oz, de 1939)
com Vincente Minelli, diretor de vários musicais dessa era, como Sinfonia de Paris (An American In Paris, de 1951) e Agora Seremos Felizes (Meet
Me In St. Louis
, de 1944), além do clássico drama Assim Estava Escrito (The Bad And The Beautiful, de 1952),
frequentemente citado por Scorsese como um de seus filmes favoritos, assim como
Sinfonia em Paris.
 

Contando a história de amor entre um saxofonista – De Niro –
e uma cantora – Liza Minelli – o filme foi fracasso de crítica e público. Além
da recepção ruim que o filme recebeu por parte da crítica, a produção, que
custou quatorze milhões de dólares, arrecadou apenas dezesseis milhões. Foi
relatado no livro Easy Riders, Raging
Bulls
, que conta a história da Nova Hollywood, que o fracasso pode ter sido
causado pelo vício em cocaína que acometia Scorsese durante as gravações do
filme, vício esse que se tornou mais intenso após a recepção decepcionante do
filme, que levou o diretor a uma depressão profunda, que foi superada apenas
quando De Niro o convenceu a desenvolver o próximo projeto da dupla.

 

4) Touro
Indomável (Raging Bull, de 1980)

 

Quando Scorsese estava no pior período de sua vida, De Niro
apareceu com a salvação. O ator leu uma biografia sobre o lutador Jake La Motta
enquanto estava no set de
O Poderoso
Chefão II
(The Godfather: Part II,
de 1974, dirigido por Francis Ford Coppola, filme que deu a Robert De Niro seu
primeiro Oscar, na categoria de Melhor Ator Coadjuvante), se tornou fascinado
com a vida do lutador e, desde então, estava tentando convencer Scorsese a
dirigir um filme sobre ele. O diretor, no entanto, por não saber nada sobre
esportes e menos ainda sobre boxe, não estava interessado nas possibilidades
que a história lhe proporcionaria. Quando De Niro apresentou o projeto a alguns
produtores, eles disseram que fariam o filme apenas se Scorsese assumisse a
direção. Tendo recém saído de uma overdose de cocaína, o cineasta aceitou
participar do projeto para salvar sua carreira e sua vida.
 

O primeiro tratamento do roteiro foi escrito por Mardik
Martin, mas não agradou e foi reescrito por Paul Schrader, autor do roteiro de Taxi Driver e amigo de De Niro e
Scorsese. Dessa vez, todos gostaram do roteiro, porém os produtores ficaram
preocupados com o conteúdo, que certamente geraria uma classificação etária
+18. Para resolver esse problema, o diretor e o ator partiram para a ilha de
São Marinho, aonde passaram duas semanas modificando o roteiro.

Scorsese
e De Niro na Ilha de San Marino. A foto foi enviada para os produtores do filme
como uma piada, dizendo que a dupla havia passado os dias se divertindo ao
invés de escrever o roteiro



As filmagens começaram em Abril de 1979 e foram pausadas em
Junho, para que De Niro tivesse tempo para engordar o necessário para
interpretar a versão mais velha de La Motta. Nesse meio tempo, a montagem do
filme também já começou a ser realizada, inaugurando a parceria de Scorsese com
sua colega de universidade, a montadora Thelma Schoonmaker, que montou todos os
filmes do diretor desde então. As filmagens foram retomadas em Outubro e
concluídas perto do Natal de 1979.
 

Apesar de um retorno financeiro não tão bom, o filme foi
muito bem recebido pela crítica e pela Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas, que o indicou a oito categorias do Oscar de 1981: Melhor
Filme, Melhor Direção (primeira das nove indicações de Scorsese ao prêmio),
Melhor Ator (De Niro), Melhor Ator Coadjuvante (Joe Pesci, em sua primeira
colaboração com a dupla), Melhor Atriz Coadjuvante (Cathy Moriarty), Melhor
Som, Melhor Fotografia e Melhor Montagem. Venceu os prêmios de Melhor Ator,
dando a De Niro seu segundo e mais recente Oscar, e Melhor Montagem, dando a
Thelma Schoonmaker o primeiro dos três prêmios da academia que venceu – todos por
filmes em parceria com Scorsese.
 

Touro Indomável é
considerado por quase todos os pesquisadores como o último filme da Nova
Hollywood e veio a se tornar um dos maiores clássicos do cinema estadunidense,
e a atuação de Robert De Niro é frequentemente citada como uma das melhores
performances da história do cinema, se não a melhor. O filme deu um bom gás à
carreira do diretor, que, logo em sequência, deu continuidade à parceria com o
ator.

 

5) O Rei da
Comédia (The King Of Comedy, de 1982)



 



O Rei da Comédia
foi o filme seguinte na parceria, e conta a história do comediante Rupert
Pupkin – De Niro –
 que sequestra um
apresentador de televisão chamado Jerry Langford – Jerry Lewis – que, buscando
a liberdade, cede espaço em seu programa para Rupert apresentar seu ato de
stand-up.

 

Apesar do fracasso retumbante de público que o filme foi –
custou dezenove milhões de dólares e arrecadou apenas dois milhões na
bilheteria, dando um prejuízo de 17 milhões – a crítica recebeu o filme
relativamente bem e, com o tempo, ele veio a ter seu valor reconhecido e se
tornou um filme cult. Recentemente, a produção voltou a ser comentada e vista
por muitas pessoas, pois, junto com Taxi Driver, foi citado pelo diretor Todd
Phillips como a grande inspiração para
Coringa
(
Joker, de 2019, que também conta
com Robert De Niro no elenco). Apesar de não ser um dos filmes mais famosos da
parceria,
O Rei da Comédia tem um
valor inegável e é um filme importante na carreira tanto do diretor, quanto do
ator.

 

6) Os Bons
Companheiros (Goodfellas, de 1990)



 

Após oito anos sem trabalharem juntos, a dupla se reuniu no
filme que é considerado por muitos como a obra-prima de Scorsese, Os Bons Companheiros. O filme marca a
única vez em que De Niro atuou como coadjuvante em um filme do diretor – o ator
interpretou Jimmy Conway, uma das figuras mais importantes da vida do
protagonista Henry Hill, interpretado por Ray Liotta.
 

Um dos filmes de máfia mais aclamados de todos os tempos, Os Bons Companheiros segue a vida de
Henry Hill, que sonha em ser mafioso desde que consegue se lembrar, pois vivia
em um bairro dominado pela máfia e via as facilidades que a vida de mafioso
proporcionava a estes.
 

Após uma década de 80 conturbada, com filmes pouco vistos e
outros bastante polêmicos, como A Última
Tentação de Cristo
, o drama de máfia baseado em fatos reais marca o retorno
de Scorsese à aclamação da crítica – apesar de, novamente, alguns críticos
terem se incomodado com a violência – e ao sucesso de público – com uma
arrecadação de 46 milhões de dólares, a produção foi a maior bilheteria do
diretor até então.

 

O filme também foi indicado a seis prêmios no Oscar, nas
categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor
Montagem, Melhor Atriz Coadjuvante (Lorraine Bracco) e Melhor Ator Coadjuvante (Joe
Pesci, que foi o único a vencer).

 

7) Cabo do
Medo (Cape Fear, de 1991)

 

No início dos anos 90, Scorsese planejava fazer o drama de
guerra
A Lista de Schindler (Schindler’s List, de 1993) e Steven
Spielberg, seu amigo desde o início dos anos 70, planejava fazer um remake do
thriller de 1962
O Círculo do Medo.
No entanto, Scorsese desistiu de sua produção por acreditar que
A Lista de Schindler deveria ser feito
por um judeu. Spielberg, por sua vez, achava que o olhar de Scorsese para o
tipo de história que é
O Cabo do Medo
seria mais adequado do que o seu, e, como sua própria produtora, Amblin
Entertainment, produziria o filme, o ofereceu para Scorsese. Quando ele leu o
roteiro, no entanto, não ficou muito satisfeito, e disse que apenas
consideraria o material se pudesse bagunçar a família principal. Apesar de
brincar que, ao dizer aquela frase, Scorsese havia tirado 70 milhões de dólares
da bilheteria que o filme viria a arrecadar, Spielberg aceitou e deu a Scorsese
total controle criativo sobre a produção, que veio a estrear em 1991.
 

Como Max Cady, um homem condenado por estupro que sai da
cadeia em busca de vingança contra seu advogado de defesa que não conseguiu
evitar sua prisão, Robert De Niro passou por uma das transformações físicas
mais intensas de sua carreira. Já perto dos 50 anos, o ator teve que fazer
dieta e frequentar a academia para atingir os resultados esperados. Além disso,
reza a lenda que ele foi em seu dentista e pediu para ter seus dentes
destruídos, tendo gastado posteriormente 20 mil dólares pela restauração.
 

A performance do ator como um dos personagens mais
diferentes de sua carreira lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator,
única indicação do filme à premiação, ao lado do prêmio Melhor Atriz Coadjuvante,
ao qual a atriz Juliette Lewis foi nomeada.
 

Apesar de possivelmente ser o filme mais esquecido da
parceria entre o diretor e o ator, O
Cabo do Medo
é um thriller extremamente efetivo e tipicamente “Scorseseano”
que merece mais atenção do que costuma receber.

 

8) Cassino
(Casino, de 1995)

 

No filme que marcou a última parceria entre Scorsese e De
Niro por mais de 20 anos, o diretor conta a história de Sam Rothstein – De Niro
– um apostador que é convocado pela máfia para cuidar de um cassino em Las
Vegas.

 

Na época do lançamento do filme, alguns críticos o acusaram
de ser uma espécie de remake de
Os Bons
Companheiros
, por contar com os mesmos protagonistas e o mesmo diretor. No
entanto, a abordagem de Scorsese é bastante diferente; enquanto
Os Bons Companheiros retrata o estilo
de vida de um mafioso em várias esferas,
Cassino
simboliza, de certa forma, o fim de uma era em Las Vegas que, segundo o
diretor, se assimila bastante à época do velho oeste estadunidense. É claro que
há muitas similaridades entre os dois filmes, desde o elenco até o modo como o
diretor usa a câmera e a trilha sonora, mas é raso dizer que os filmes são
iguais apenas por isso.

 

Apesar de, mais uma vez, a violência do filme ter sido um
problema para alguns, a recepção do filme pela crítica foi muito boa, e a
bilheteria foi melhor ainda, tendo arrecadado 116 milhões de dólares – recorde
de Scorsese até então – mais do que o dobro de seu orçamento de 52 milhões. O
filme foi lembrado no Oscar apenas na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, na
qual a atriz Sharon Stone foi indicada, mas acabou não vencendo.

 

 

9) O
Irlandês (The Irishman, de 2019)



 

Após Cassino, a
dupla passou 24 anos sem lançar um filme juntos. O longo tempo sem nenhuma
colaboração, no entanto, não foi por falta de vontade de nenhuma das partes. Em
Gangues de Nova York, de 2002, De
Niro foi convidado para interpretar o papel que acabou com Daniel Day Lewis,
mas, por estar envolvido em um projeto que estava sendo filmado na Itália, não
pôde se juntar ao amigo, que estava filmando em Nova York. Mais tarde, quando
Scorsese fez Os Infiltrados, ele
convidou o ator para interpretar o papel que ficou com Jack Nicholson, mas este
estava trabalhando em seu único projeto como diretor, O Bom Pastor, e novamente acabou por não se envolver com a
produção. Algum tempo depois, foi ele que convidou Scorsese para um projeto, um
remake de Assim Estava Escrito (The Bad And The Beautiful, de 1952),
que mostraria experiências dos dois durante suas carreiras em Hollywood. O
diretor, no entanto, não se empolgou com o projeto, e ambos começaram a
procurar roteiros que poderiam filmar juntos.
 

Até que o ator leu o livro I Heard You Paint Houses, de Charles Brandt, que contava a história
do mafioso Frank Sheeran, que afirmava ter matado o líder sindical Jimmy Hoffa,
uma das figuras mais importantes dos Estados Unidos nos anos 60 e 70 que foi
assassinado em 1975 e, até hoje, não teve o corpo encontrado ou o assassino
desvendado pelas autoridades. Segundo Scorsese, o que o convenceu a fazer o
filme foi a emoção demonstrada por De Niro ao descrever o livro para o diretor.
O projeto também retomaria a parceira do diretor com Joe Pesci, com quem também
não trabalhava desde Cassino e teve
que ser convencido a sair da aposentadoria para participar do filme, e Harvey
Keitel, que havia trabalhado com o diretor pela última vez em A Última Tentação de Cristo, de 1987.
Além disso, o filme também marca a primeira vez em que Al Pacino trabalhou com
Scorsese, pois, apesar de terem planejado alguns filmes ao longo dos anos e
serem amigos de longa data, esses projetos nunca deram certo.

 

Após anos de tentativas fracassadas de achar uma produtora
para o filme, os envolvidos já estavam prestes a perder as esperanças de que o
filme viria a ser feito. Até que, em 2017, a Netflix assumiu o financiamento,
dando ao diretor total controle criativo sobre a produção e desembolsando 175
milhões de dólares para que o filme ficasse como ele desejava – muito desse
custo foi por causa da revolucionária tecnologia de rejuvenescimento facial
usada em De Niro, Pesci e Pacino.
 

Com esse time de ponta, era difícil fazer alguma coisa
abaixo de uma obra-prima, e Scorsese não decepcionou.  Mais uma vez, o filme foi acusado
injustamente por alguns de ser um remake ou uma versão requentada de Os Bons Companheiros. O Irlandês, sim, é outro filme de máfia
mas, muito mais do que isso, é um olhar para o próprio cinema de máfia,
marcando o fim de uma era no gênero, além de uma contemplação de Scorsese sobre
o envelhecimento, a morte, a lealdade e o arrependimento.
 

O filme foi aclamado pela crítica e recebeu dez indicações
ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator
Coadjuvante (Joe Pesci e Al Pacino), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Montagem,
Melhor Figurino, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Design de Produção e Melhor e
Melhor Fotografia. Apesar de seu filme não ter vencido nenhum prêmio, Scorsese
foi um dos protagonistas da noite, quando, após o prêmio de Melhor Direção ser
entregue para Bong Joon Ho, por Parasita,
ele homenageou o diretor de O Irlandês
no discurso, o que gerou com que a plateia se levantasse e aplaudisse Scorsese
de pé, em um dos momentos mais emocionantes da história da premiação.

 

10) Killers Of The Flower Moon (será lançado em 2022)

 

No momento, está sendo filmado o próximo projeto da dupla,
que, dessa vez, terá a companhia de Leonardo DiCaprio, Jesse Plemons e Lily
Gladstone, entre outros. Baseado no livro Killers
Of The Flower Moon: The Osage Murders And The Birth Of The FBI,
de David
Grann, o filme financiado pela Apple contará a história de assassinatos
ocorridos em 1920 na tribo Osage, em Oklahoma, após a descoberta de petróleo na
área da tribo, que contaram com a investigação do recém-fundado FBI.
 

Autor do roteiro do filme, Eric Roth (Forrest Gump, O Curioso Caso
de Benjamin Button,
O Informante,
entre outros) contou ao Collider que acha que o filme será como nada que vimos
anteriormente, e que o diretor está tentando fazer um faroeste que
provavelmente será o último feito desta maneira.

 

De Niro comentou que gosta da ideia de fazer dez filmes com
Scorsese por se tratar de um número fechado, então há uma grande chance desse
filme marcar o final dessa parceria tão icônica, mas, quando se trata desses
dois, só teremos certezas que ambos não trabalharão mais juntos quando um dos
dois não estiver mais entre nós. Sorte nossa.


Caro leitor, você também é fã dessas lendas? Ansioso pelo próximo trabalho desta parceria incrível? 


Deixe uma resposta