Crítica em Dupla: American Gods – 1ª Temporada (2017, Bryan Fuller e Michael Green)






Dois
integrantes do blog se unem para falar e debater sobre uma das estreias
mais badaladas no mundo das séries em 2017: a primeira temporada de American Gods.

Leonardo: 
American Gods vinha causando bastante expectativas e especulações desde suas primeiras imagens, exibidas na Comic-Con de 2016. E quando a obra finalmente estreou este ano, a crítica especializada caiu de joelhos para a produção. Ela é baseada na obra de Neil Gaiman, um escritor visionário, cujas obras literárias ou roteiros já renderam filmes como A Lenda de Beowulf, Stardust – O Mistério da Estrela, Coraline, e episódios das séries Lúcifer, Doctor Who, e outras. Acha que tamanha carga de Gaiman e excesso de expectativas influenciaram o sucesso da série? Quer falar um pouco da trama?





Vinícius:

Então, American Gods veio
com bastante hype, seja pela série
ser baseada em um livro extremamente bom e de um escritor fantástico, ou pelas
mãos criativas de Bryan Fuller (série Hannibal)
e Michael Green (filme Logan). O drama é centrado em uma guerra entre os velhos e os novos
deuses. Os seres bíblicos e mitológicos estão perdendo cada vez mais fiéis para
novos deuses, que refletem o amor da sociedade por dinheiro, tecnologia,
celebridades e drogas. Shadow Moon (Ricky Whittle) é um ex-presidiário que
agora serve como segurança e companheiro de viagem para o Sr. Wednesday (Ian
McShane), um homem fraudulento que é, na verdade, um dos velhos deuses, e está
na Terra em uma missão: reunir forças para lutar contra as novas entidades. Estilização, essa é uma palavra interessante quando
aplicada a séries, o que acontece aqui em American
Gods.
Desde a abertura sentimos um estilo próprio, seja pela trilha sonora
pesada, a fotografia escura e o tom forte. Isso indica bastante o tom e estilo
da série. Mas, apesar de uma fotografia bonita e ter uma trilha sonora que
acerta em acrescentar pesos e ritmos nas cenas,  esta mesma trilha também atrapalha, é difícil ter um momento em qualquer um dos 8
episódios em que ela não está presente. Sem ofensas, amo uma boa trilha sonora,
mas aí que está, ela não é boa o tempo todo. Além disso, temos alguns efeitos
visuais bem fracos.



Leonardo:  

ah eu entendo sua opinião, mas sabe que gostei da trilha? Haha, trilha sonora de rock e folk indie bem interessante, combina com a proposta road movie da série (personagens pegando a estrada), embora esta ambientação seja mais sutil. Sobre os efeitos especiais, concordo que alguns são forçados e soam artificiais. Porém notei algo interessante tanto nos efeitos de computação quanto na fotografia: ambos trazem uma atmosfera lúdica e cartunesca, remetendo a uma história em quadrinhos bizarra e sangrenta. Há na paleta de cores e lentes de câmera, um interessante contraste do dark, do grotesco e mórbido (em tons frios azul, cinza e preto referenciando a morte e o mal), contra o quente, o colorido, o cômico (tons laranja, vermelho e amarelo), além do forte vermelho do sangue em cenas mortais, é claro. Os próprios personagens são caracterizados com um visual que combina com este teor fantasioso. E falando em personagens: são vários e excêntricos. Só achei que alguns foram pouco desenvolvidos, como o protagonista Shadow. E alguns apenas são apresentados, mas aparecem pouco. Devem ser melhor desenvolvidos numa temporada futura. O que achou das atuações?





Vinícius: 

em atuações temos um brilho de Ian McShane, simplesmente roubando todas as cenas presentes, aproveitando todo o potencial que seu personagem transfere, e não sendo apenas um coadjuvante, como também piloto de trama. Emily Browning tem seus bons momentos junto com Pablo Schreiber, que também dá um toque interessante a trama. Gillian Anderson e Crispin Glover não tem tantos momentos em tela para desenvolverem bem os seus personagens, como você falou, mas eu também conto com a próxima temporada para os mesmos “desencantarem”. Enquanto isso, nosso protagonista Ricky Whittle tem uma boa atuação sem nada de mais em si. Agora, mudando de assunto e falando de direção: não temos nada de espetacular em sua maioria,
apenas realçam o próprio estilo da série, seguido de cabo a rabo. Tem seus
momentos ótimos? Claro, mas é fadado a carregar algo que – na minha opinião,
queima a série por inteiro, o roteiro. 
Ele começa bem, apresenta a história bem, mas com uma intensidade
fraca, ou seja, apresenta a série e logo nos toca que será lenta, o que não é
ruim, os melhores filmes e séries na minha opinião são os lentos, lentos que
são carregados por um roteiro incrível, coisa que
American Gods não tem. Não gostei do roteiro, você também se incomodou com o roteiro da trama? (haha).



Leonardo: 

o roteiro não me incomodou tanto. Mas concordo que ele não surpreende. Apesar do teor aparentemente diferenciado, ele cai em lugares comuns, com sátiras e cutucadas nas feridas do “estilo de vida dos sonhos” da sociedade americana, usando a fantasia e os “deuses” como metáforas para criticas as futilidades humanas. Isso realmente não é algo novo, mas gostei dos diálogos ácidos, sem falar que sempre acabo gostando de críticas a sociedade. O andar da trama realmente é demasiado lento. Temos 8 episódios de 1 hora cada, que apenas apresentam personagens, a maioria sendo deuses sinistros. E é só, temos pequenos confrontos iniciais, mas que pouco acrescentam na trama. Então parece que falta alguma ação na série, sendo ela mais propriamente dita: uma fantasia de humor negro. Espero que isso melhore na próxima temporada. Mas de novo digo: apesar de arrastada e com alguns personagens pouco desenvolvidos, comprei a ideia vendida. É uma série muito ousada, que deve crescer muito. Sabe, ela me lembrou a 1° temporada de Game of Thrones: lenta e apenas serviu como apresentação do universo proposto. Gostaria de finalizar sua opinião da série?




Vinícius:  

sim! Então, American
Gods
se arrasta bastante em seu enredo/roteiro. Apresenta coisas para
causar interesse do público, mas apesar das boas metáforas e etc, não constrói
basicamente nada bem, o que não é cabível para o nível de material que se tem
em mãos. 
Lógico, se você for uma pessoa que gosta de ouvir sons e ver
coisas e a partir daí ter emoções ou amar o que está vendo sem ser necessário
qualquer fala,
American Gods é pra
você. Mas, se tem que existir diálogos, me desculpe, mas apenas 3 episódios te
satisfarão, e nada excelente, apenas bom. 
Logo, temos uma série arrastada por um roteiro que não se
decide no que quer mostrar, e quando mostra, é afetado por uma má construção já
feita, prejudicando todo seu desenvolvimento. Mas, fora isso temos uma boa
série, porém o seu maior problema é também a causa da perda do poder que tinha
em mãos. Acho que é isso.



Leonardo: 

perfeito. É realmente concordo contigo em algumas questões abordadas. Mas acho que o público que curte séries e filmes mais abstratos irá curtir. É uma trama cheia de metáforas, de certa forma Neil Gaiman está dizendo: ei, o homem pode ter matado Deus (ou qualquer tipo de credulidade religiosa), mas ainda está preso a deuses: drogas, sexo, ambição, dinheiro, fama, mundo pop, relacionamentos. Basta nos dedicarmos a alguma coisa e aquilo se torna o nosso deus. Pelo quê vale a pena se dedicar e lutar? O homem “matou Deus” dentro da sociedade, mas serve a “deuses engravatados” dentro de empresas, etc. Isso não deixa de ser contraditório. Acho que no fundo a ideia é essa. E visualmente a série é rica, chamativa, forte, o episódio 4 é hilário e chocante na mesma medida. Enfim, pra encerrar Bilquis é a rainha da série (haha), entendedores entenderão. Acho que vale conferir para se situar na trama e que venha 2° temporada em 2018! Espero que o público tenha curtido esta matéria em dupla, quem sabe futuramente não rola um debate em vídeo? Veremos, abraço e beijo a todos.



Vinícius:

é isso pessoal, não deixem de comentar aí em baixo, curtir e seguir nossas redes sociais na lateral direita aqui do blog. Participe! Abraços e beijos a todos leitores!




NOTAS:


Vinícius: 6,5
Leonardo: 9






Trailer:






Abertura da Série:





Imagens:











Você gostou da série? Gostou deste debate em dupla? Comente aí 🙂


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