CRÍTICA: “Diana” (2013)


“Diana” (2013)


Em
2012, uma das minhas atrizes favoritas concorreu ao Oscar pela segunda vez, mas
não venceu e, em seguida, soube que seu próximo projeto seria interpretar e entrar
na pele de uma das maiores personalidades do mundo: Naomi Watts seria a
Princesa Diana nos cinemas. O que me veio à cabeça? “Agora ela leva o Oscar!”.
A partir daí comecei a fazer campanha para o filme, levando aos amigos das
redes sociais fotos e notícias, promovendo o longa que viria a estrear mais a
frente. Saíram fotos e trailers e muitos pensaram como eu, já que parecia quase
impossível o filme não dar certo, levando em conta que o personagem tão
desafiador seria interpretado por uma atriz de extrema capacidade. Para o
cinema, nada é impossível e, infelizmente, isso também se enquadra de forma
negativa. Dirigido por Oliver Hirschbiegel
 (Invasão), “Diana” é um filme muito mal feito e que tem pouquíssimas qualidades
a serem notadas.



A
projeção narra os dois últimos anos de vida da “princesa do povo”, que foram
envolvidos por escândalos, tribulações e assédio por parte da mídia. A princesa
se divorciara do príncipe de Gales e lutava emocionalmente para superar isso,
viver uma vida mais ‘normal’ e cuidar de seus filhos, personagens quase inúteis
num filme que se diz biográfico, mas não se importa em falar do que interessa.
Num determinado momento, Diana vai até um hospital fazer uma visita e, por
acaso, conhece o cirurgião Hasnat Khan (Naveen Andrews), com quem se apaixona “instantaneamente”.
Exato. A cena mostra a princesa vendo-o por 5 segundos e, na cena seguinte, ela
está em casa deitada com semblante de apaixonada e sorridente. Estranho.
Forçado. O filme segue dando continuidade a esse romance que parece tão seco,
cru e sem propósito.

A
primeira cena do filme é um plano-sequência até interessante e que chama a
atenção, mas, as demais são desconexas, sem fundamento e uma boa parte,
dispensáveis (não há uma montagem lógica porque não existem cenas que se
encaixam bem). O romance protagonista se desgasta, já que Diana é
constantemente vítima da invasão da mídia causando desconforto e incômodo ao seu
companheiro. Vemos então um casal em crise que poderia ser bem ilustrado na
tela, entretanto, lamentavelmente não há química entre eles e nós não nos
convencemos de que, realmente, existe amor ali para ser tão debatido e foco de
brigas desnecessárias. Lembra-nos um filme adolescente, daqueles forçados que
não se encontra motivo algum para tal drama.

O
roteiro de Stephen Jeffreys, baseado no livro “Diana – O Último Amor de uma
Princesa”, escrito por Kate Snell (quem também colaborou com o roteiro) é
desastroso. O foco do filme, claramente, não é mostrar a vida de Lady Di na sua
essência, mas sim, colocar numa tela a representação de tudo aquilo que foi
mais falado por parte da mídia, o que inclui o romance secreto e todo o seu
alvoroço envolvendo suas saídas às escondidas, brigas e tentativas frustradas
de resolver tais problemas. Metaforizando, o filme é ‘mais um paparazzi’ que
alcança o objetivo de expor a vida de Diana em um plano maior, mostrando certas
coisas que, talvez, ela nunca quisesse que o mundo soubesse ou lembrasse.


Como
desconheço o livro, fiquei curioso para saber se ele traz os exatos relatos que
o filme apontou, já que certas cenas são risíveis e algumas delas,
propositadamente. Em um determinado momento do filme, Lady Di se disfarça com
uma peruca de cabelos longos e castanhos, com o objetivo de passar despercebida
pelas ruas. Antes, sua aparição era motivo de euforia; disfarçada, ela chama a
atenção de TODOS pela beleza. O que é risível disso? Enquanto ela passa pela
calçada, todos, TODOS os homens que por ali passam começam a assobiar, sorrir e
encarar a moça desconhecida de cabelos castanhos. Em outro momento a princesa
está jantando em um restaurante lotado onde todos, mais uma vez, TODOS estão
virados, contorcidos e com os olhares voltados à presença de Di. Sim, nos
lembra um filme adolescente pois não há necessidade de tal exagero, apesar de
ter noção de que se trata da mulher mais querida de todos, é um relato reproduzido
de forma estúpida.

Tecnicamente
o filme não apresenta praticamente nada de proveitoso. Por vezes, parece que
estamos acompanhando uma novela boba por conter cortes mal feitos, cenas
desnecessárias e certo conteúdo empurrado para o espectador sem dinâmica. A
fotografia é decente em pouquíssimas cenas, geralmente naquelas em que a
princesa se mostra em público com vestes de gala exalando exuberância. Lembram-se
da imagem promocional que mostrava apenas os olhos dela? Na cena, parece algo
quase ridículo, sem emoção. As interpretações não passam do básico e não chamam
atenção para si, com exceção, claro, de Naomi Watts. Nas entrevistas que
concedeu à TV, Watts declarou que, sem dúvida, interpretar a mulher mais famosa
do mundo foi um de seus maiores desafios como atriz e isso se percebe em cena
quando prestamos atenção na postura, impostação delicada da voz, jeito por
vezes introvertido e, claro, aparência física. Naomi consegue nos convencer de
que é a princesa Diana por vários momentos, mas, o filme não a permite crescer
e fazer com que isso seja grandioso, ela tem que seguir um estilo imposto pelo
roteiro que a deixa presa num personagem básico. Oscar? Doce ilusão. Como fã,
terei que esperar mais um pouco por esse momento, que, mais cedo ou mais tarde
vai chegar.


No
fim, o filme é muito ruim, mas não se pode negar que traz muita realidade em
seu conteúdo que, infelizmente não foi bem trabalhado. Metaforizando, mais uma
vez, podemos dizer que “Diana” é uma cidade cheia de defeitos e mal planejada,
mas que no meio dela existe uma estrada correta e asfaltada em meio a ruas
esburacadas. Até parece impossível acreditar que estamos falando de um filme
biográfico da “Mulher mais famosa do mundo”, de uma princesa que conquistou o
mundo e se tornou personalidade influente de toda uma geração e das
posteriores. A princípio, um dos filmes biográficos mais aguardados do ano, no
fim, a maior decepção!


NOTA:
3.0


“Diana”
Ano: 2013
Duração: 113 min.
Gênero: Biografia / Drama / Romance
Direção: Oliver Hirschbiegel
Roteiro: Stephen Jeffreys e Kate Snell
Elenco: Naomi Watts, Naveen Andrews, Cas Anvar, Geraldine James.


Trailer:




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