Crítica: Resident Evil O Hóspede Maldito (2002, P.S. Anderson)





Filme:
Resident Evil: O Hóspede Maldito
Gênero: Ação,
Terror
Direção: P.S.
Anderson
Ano: 2002
Roteiro: P.S.
Anderson


Resident Evil: O Hóspede Maldito é um filme de ficção científica com elementos de ação
e terror baseado (ou levemente inspirado) no grande game que consagrou o gênero survivor horror. Entretanto, as
semelhanças dos dois limitam-se unicamente nos títulos e cenas de ação, uma vez
que o roteiro do longa foi produzido para se distanciar da
grande franquia japonesa que ostenta o título de ser o clássico dos clássicos
do survivor horror. Todavia deve-se ressaltar que Resident Evil: O Hóspede Maldito foi inegavelmente um sucesso,
tanto que deu início a uma rentável franquia fortemente desacreditada em seu
lançamento.




Um gigantesco
laboratório. Um vírus letal escapa. Todos morrem. Mas o problema é que não
permaneceram mortos… O filme começa com Alice, interpretada por Milla
Jovovich, que acorda desmemoriada em meio a uma mansão. Poucos minutos depois,
por intermédio de um grupo de especialistas táticos enviados ao local, a
protagonista descobre que a mansão na verdade é uma fachada para o gigantesco
complexo laboratorial no interior da cidade próxima, denominada Raccoon City,
guardando segredos de engenharia viral e armas biológicas capazes de dizimar o
planeta. Seguindo como prisioneira até que desanuvie sua amnésia e revele quem
realmente é, Alice enfrenta zumbis e outros horrores até que a verdade lhe
acometa, mostrando quem ela era, quem ela é e qual será sua importância para a
salvação de todos.



Grande parte do
destaque do filme cabe a Milla Jovovich que, evidenciando mais uma vez a
excelente atriz que é, encarna a personagem Alice com maestria, repassando
credibilidade e confiança às suas sequencias de lutas e mostrando uma entonação
verdadeira a um roteiro que tende a ser evasivo, no entanto muito bem puxado
para a ação. E por falar no roteiro, ele foi o responsável por deixar Michelle
Rodriguez com ares de inábil, uma vez que sua atuação em Machete Kills exclama
o contrário. Sua personagem, Rain, é um arquétipo da oficial durona, sarcástica
e absolutamente clichê, mas que é facilmente aceita pelo público visto que é
responsável por catalisar momentos de humor e simpatia.

Mas se P.S. Anderson
não possui vocação para escrever um bom roteiro, seu trabalho como diretor foi
excelente. As cenas de ação foram bem pensadas e executadas, até mesmo fáceis
de fazer se levarmos em consideração que P.S. Anderson, cujo também é o produtor
do filme, é um apaixonado por videogame e responsável pela adaptação de jogos
famosos paras as telonas. Um bom exemplo disso é Mortal Kombat. Se por um lado não
há qualquer fidelidade do roteiro com a história dos games da Capcom, outros elementos
estão lá: a Corporação Umbrella, o T-Vírus, a mansão (muito bem idealizada), a
cidade e até mesmo o vestido trajado por Alice que faz uma ligeira referência
ao vestido vermelho da sempre emblemática Ada Wong. Outro ponto para P.S.
Anderson é que, mesmo o filme antes de ser lançado já portar o agouro de que
seria um fracasso, ele soube colocar como prelúdio fatos que levam a sua
continuação:
Resident Evil 2: Apocalipse.

Já os momentos em que deveria envolver o terror são
alquebrados justamente pela ação quase frenética, sim, quase, isto porque
torna-se sutil em embate com outros filmes da mesma franquia. A trilha sonora
eletrônica é competente, composta por Marco Beltram e o músico Marlyn Manson,
apresentando a sensação de insegurança e ansiedade contando com o fato de que
as personagens tem poucas horas para escapar do imenso laboratório subterrâneo.
E o grande forte do filme é realmente a sutileza. É o único da franquia que não
convoca movimentos de luta exagerados e mentirosos, dono de uma história que,
embora fraca, possui sentido e não se perde em seu próprio desenrolar.

Bom, sou um apaixonado pela série de jogos e, como
qualquer fã e até mesmo cinéfilos, concordo que existem sim pontos negativos no
filme, dos quais em parte são irrevogavelmente atribuídos aos próprios fãs que persistem com a
ideia de que não possui nada de bom e que jamais deveria ser adaptado. Entretanto, se analisarmos sua óbvia preocupação
em se manter uma história paralela a dos jogos, é válido dizer que é um bom
filme para assistir e tirar proveito de um ótimo entretenimento, mesmo que não seja daqueles que perduram em comentários e
discussões. Em conclusão, a série
Resident
Evil
jamais será – e seu intuito realmente não é ser – uma lenda dos cinemas como os
jogos se tornaram em seu meio, no entanto continua arrecadando milhões e milhões toda vez
que uma sequência é anunciada.


NOTA: 7

TRAILER:




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