Direção: Michael Haneke
Elenco: Christian Friedel, Ernst Jacobi, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klauner, Steffi Kühnert, Josef Bierbichler.
Sinopse: Um vilarejo protestante no norte da Alemanha, em 1913, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. A história de crianças e adolescentes de um coral dirigido pelo professor primário do vilarejo e suas famílias: o barão, o reitor, o pastor, o médico, a parteira, os camponeses. Estranhos acidentes começam a acontecer e tomam aos poucos o caráter de um ritual punitivo. O que se esconde por trás desses acontecimentos?
Premiações: Ganhou a Palma de Ouro, no Festival de Cannes. Ganhou também o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Pela sinopse vocês viram que começam a ocorrer estranhos acontecimentos “acidentais” no pequeno vilarejo. Desde o início, estes brutais acidentes começam a chamar a atenção. De início somos apresentados para várias personagens; mas o interessante é que todos os núcleos do elenco há crianças. Neste momento começam as mensagens sublineares de Haneke. Logo em seguida começamos a perceber alguns pais e seus rígidos métodos de disciplina e educação. E os trágicos acontecimentos continuam. Um arame derruba um médico, uma colheita é destruída, crianças são punidas severamente. Perguntas e mais perguntas vão sendo jogadas em nossa face, e no lugar de respostas, recebemos cenas indigestas de tratos com crianças. Mas fique atento, pois tudo é muito singelo. As pistas estão em pequenos diálogos, como alguns que chamam uma criança deficiente de retardado. Ou cenas em que crianças fazem perguntas, e são severamente mandadas para cama ao invés de receberem atenção. Mas mais uma vez digo que tudo é muito singelo, quase imperceptível!
Talvez o filme em si fale da maldade e da pureza. A tal fita branca do título é na verdade um elemento que certo pai usa para lembrar seus filhos de não pecar. Mas a própria maneira rígida que ele usa ao lidar com as crianças já não seria pecado? Nada é o que parece. Todas personagens aos poucos vão revelando características dúbias, extremamente duvidosas. Em determinada cena, o médico recém saído de uma recuperação, revela-se monstruoso e cruel. A maneira como ele trata a mulher que cuida de seus filhos é horrenda. Suas palavras de mau gosto ao humilhar a pobre mulher que o ama é incrivelmente dilacerante. Mais adiante entenderemos um “porque” dele fazer isto, embora não haja desculpas para isto. Aos poucos, as pobres crianças vão -se revelando tão cruéis e frias quanto seus pais e amos. A criança com problemas mentais que eu já citei, é sem dúvida a mais frágil e triste vítima das estranhas circunstâncias deste diferente filme. Pedofilia também está presente no filme, de maneira mais escondida.
A guerra, a maldade, a rigidez de uma vida inteira, todo o padrão de uma sociedade em si, tudo é podre e obscuro. Quando chega o fim e você percebe tudo que o diretor quis passar, é assombroso o que você sente. De uma maneira que é capaz de te desmoronar, A Fita Branca é um filme que suas imagens em preto e branco, quase sem som, diz tudo sem precisar de diálogos. Então os diálogos apenas se adaptam a cena para deixar tudo mais rico, de um jeito assustador. Um filme para poucos apreciarem, obrigatório em escolas e cursos de história e psicologia. Um filme perturbador, que deverá arrebatar os corações dos poucos que se aperceberem do que a história quer passar. As interpretações estão abertas e são inúmeras. Muita discussão pode ser feita em cima desta obra extraordinária. Afinal de contas, todos nós, em algum momento da vida; nos deparamos com alguma norma de moral autoritária. Autoritarismo este que perturba, choca e reprime, tanto quanto uma simples fita branca. Fita esta que está ali para fazer lembrar sobre o pecado; ou seria fazer perder de uma vez por todas a pura essência da inocência e bondade. Será o homem mau por natureza? Cabe a você tirar suas próprias conclusões.





















