Crítica: The Boys – 1° Temporada (2019 de Eric Kripke, Evan Goldberg e Seth Rogen)

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A
popularidade do gênero de super-herói sempre existiu na cultura de consumo
popular em diferentes mídias, partindo dos princípios com as revistas em
quadrinhos, passando para a televisão e atualmente a maior força dominante da
atualidade,  o cinema. Como qualquer gênero ele se divide em várias facetas que
pode ser interpretada de formas diferentes, entre elas existe a sátira, não no
sentido direto de querer ser essencialmente “engraçado”, e sim ser cômico e
crítico de acordo com o período que ele se baseia.

Isso
não é novidade, temos um claro exemplo do quadrinho clássico de Alan Moore e
Dave Gibbons, Watchmen, que surgiu no
período em que a mídia gráfica foi testada para um público mais maduro e
adulto, fazendo uma releitura realista dos clichês de histórias de super-heróis
para fazer uma interpretação crítica desse universo fantástico. Nem sempre essa
crítica precisa ser essencialmente adulta, temos o exemplo da própria Pixar com
as duas animações de Os Incríveis
que satiriza esses mesmos clichês.

No período que vivemos vemos o gênero de herói
se dividindo em diferentes áreas de produções, entre elas a televisão, no qual
tivemos respostas curiosas à esse gênero saindo do nicho exclusivo de Marvel e
DC, como a Netflix que entregou no começo desse ano com a divertida série The Umbrella Academy, misturando o tema
de herói para criar uma trama de famílias disfuncionais, e agora temos o mais
recente exemplo,  a nova série do Prime Video, The Boys, que se revela uma ótima surpresa e diversão nessa
tendência de gênero.

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Baseada
numa série em quadrinhos que chegou a ser considerada polêmica por conta da violência e conteúdo grotesco gratuito de autoria de Garth Ennis e
Darick Robertson, a série chega a ser uma interessante mescla de comédia
satírica com um exercício de suposição sobre como seria a nossa sociedade numa
realidade como a da série, onde os super-heróis, que aqui são chamados de Supers, existem e convivem entre nós,
tido como celebridades, que ao mesmo tempo salvam o mundo de grandes ameaças,
ainda estrelam filmes campeões de bilheterias e participam de comercias e Reality Shows. Mas que mesmo dotados de
poderes ilimitados, são pessoas arrogantes e até mesmo corruptas, no sentindo
que abusam da autoridade como heróis e acabam causando catástrofes e perdas
significativas para pessoas comuns e acabam sempre saindo impunes.

Como
já foi dito a série se demonstra satírica, muito expressada pela figuras dos supers principais da série que são “Os
Setes”, que são uma óbvia paródia da clássica Liga da Justiça, expressado na
figura e formas dos personagens como o Capitão Pátria (Anthony Starr) sendo uma
amálgama de Superman e Capitão América, a Rainha Meave (Dominique McElligot)
sendo a Mulher-Maravilha, que são tidos como os principais, especialmente o
Capitão Pátria, tido como um vilão complexo cheio de nuances interessantes. A
partir de então é interessante como seria ver esses personagens que são munidos
de clichês pela cultura pop sendo testados pela ótica proposta pela produção da
Amazon.

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A
mencionada comédia é um ponto interessante a ser discutido, pois ela é
expressada de uma maneira muito particular, quem conhece a obra completa do
escritor de quadrinhos Garth Ennis, sabe que ele é conhecido pelo seu humor
sombrio e até escatológico pela violência explícita, que pode até ofender os
mais sensíveis, isso era algo esperado, pois a equipe de showrunners tem o nome conhecido no
cinema que são Evan Goldberg e Seth Rogen, dupla conhecida por comédias adultas
como SuperBad – É hoje, Vizinhos 1 e 2 e o polêmico A Entrevista,
que já tinham uma experiência na televisão com a produção de Preacher, outra baseada numa obra
escrita por Ennis, ambas essas produções respeitam o estilo do autor, mas será
algo a ser testado para o público que deseja assi
stir a série. Além disso, vale
mencionar que a série ainda tem a produção executiva de Eric Kripke, famosos
por criar a série adolescente de sucesso Supernatural,
que aqui apresenta uma novidade no seu ramo de produção para um conteúdo mais
adulto e sombrio.

Toda essa trama vai sendo acompanhada no olhar
do personagem Hughie (Jack Quaid), tido os olhos do espectador para essa
história, que acaba entrando numa empreitada arriscada ao se juntar com um
grupo de marginais liderado por Bill Butcher (Karl Urban), para desmascarar os supers, pois ele quer se vingar pois a
sua namorada foi, literalmente, “explodida” por um super durante em atividade heroica. Tudo isso é bem expressado logo
no primeiro episódio, que consegue fisgar o espectador pela história e pelo
curioso universo que a série apresenta. E aos poucos vamos ser apresentados aos
personagens que detém suas características principais, como o Frances (Tomer
Capon) que serve como alivio cômico assim tanto como Mother’s Milk (Laz Alonso). Apesar de Hughie ser o protagonista, o
personagem mais interessante é o de Karl Urban, tanto em carisma, o roteiro
consegue trabalha as motivações e o passado do personagem e assim consegue
carregar mais o peso da série.

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Falando
em progressão da história, a dinâmica da série progride de maneira adequada e
boa, pois a decisão de ter apenas 8 episódios é boa para a história não se
enrolar e ainda é condizente para as tão desejadas “maratonas”, mesmo que a
duração dos episódios esteja um pouco passando do limite e pode prejudicar a
experiência de assistir.

Além
de ser apenas uma série que satiriza os clichês de super-heróis, ela se
preocupa em debater uma variedade de temas atuais e pertinentes, como o mundo
obscuro das celebridades e o que levam a pessoas a irem nesse mundo, muito
representado na trama da super-heroína Starlight (Erin Moriarty) cujo o arco da
temporada dela adentrando nesse mundo de “super-celebrid
ades”, é relevante o
suficiente para se discutir o mundo vazio da fama, da hipocrisia da imagem, do
mundo comercial das corporações e da mídia manipuladora.

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A
série peca aos poucos com os CGI com
qualidades duvidosas, principalmente na metade da temporada, ou até mesmo na
vilã da série Madelyn Stillwell (Elisabeth Shue), como a presidente da
corporação que controla os super-seres, que não tem uma profundidade o
suficiente e apenas se enxerga como apenas aquilo o que mostra.

Inteligente,
divertida, com um roteiro e produção relevante para essa popularidade de
quadrinhos na atualidade, The Boys é
uma produção descontraída e que merece ser assistida, mesmo com certos tropeços
de exagero com o seu material original que pode afastar pessoas sensíveis, é uma
produção que agrada e entretém e é mais uma boa adição para o catalogo do Prime
Video que está aos poucos crescendo e merecendo atenção. A produção pode agradar tanto quem gosta do gênero de herói quanto quem sen
te uma supersaturação desse gênero.




Título Original: The Boys


Diretores: Eric Kripke, Evan Goldberg e Seth Rogen


Episódios:


Duração: 50 minutos


Elenco: Karl Urban, Jack Quaid, Anthony Starr, Erin Moriaty, Dominique McElligott, Jassie T. Usher, Laz Alonso, Chace Crawford, Tomer Capon, Karen Fukuhara.


Sinopse: Numa realidade onde super-heróis são famosos e poderosos, porém arrogantes e corruptos, um grupo de marginais se unem para desmascarar o super-seres e acabar com o seu reinado de fama e poder.


Trailer:
A série está disponível na Prime Video. Já assistiu a série?
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