Crítica Olhos Famintos (2001 Victor Salva)



Filme: Olhos Famintos
Gênero: Terror
Direção: Victor Salva
Ano: 2001

Sinopse: De volta das férias da
universidade, os irmãos Trisha e Darry seguem para casa de carro numa estrada
americana quase que deserta. A paz dos irmãos é interrompida quando um antigo e
alucinado caminhão surge em seu encalço com suas manobras assustadoras, mas
tudo não passa de um tremendo susto, ao passo que o velho
caminhão oxidado os ultrapassa e
some de suas vistas.

Recompostos do
susto, os irmãos seguem viagem sem entender o motivo pelo qual o motorista
louco provocou tamanho pânico em ambos. Mas o que parecia de volta a
normalidade desaba, quando a dupla avista o caminhão estacionado ao lado de uma
velha igreja abandonada. Ao lado, uma figura enorme e descomunal parece jogar
um corpo embrulhado em um lençol manchado, em um cano de esgoto.

Esta era a
visão que Darry daria tudo para não ter presenciado, pois em seguida, o
estranho motorista volta à perseguição dos irmãos, até fazê-los sair da
estrada, mas o que parecia ser o fim da linha para os dois não ocorre, pois o
caminhão segue viagem ao ultrapassá-los mais uma vez. 
Para o
desespero de Trisha, Darry resolve voltar à antiga igreja para saber o que
exatamente foi jogado pelo cano de tubulação. E é então que uma desagradável
surpresa se apresenta a Darry após o garoto perder o equilíbrio e cair dentro
da galeria pelo cano. Milhares de corpos mutilados lhe fazem companhia e o
desespero toma conta do rapaz que volta ao carro, para enfim, voltarem
definitivamente à estrada.

Nada poderia
resolver-se assim tão facilmente, e o terrível assassino volta a persegui-los
ao passo que a noite cai e tudo fica mais assustador. 
Não se trata
de um simples assassino, mas uma criatura malévola e sobrenatural que acorda de
tempos em tempos para matar a sua fome de… corpos humanos.

Olhos famintos sem sombra de dúvidas é um
filme que se distancia dos filmes de terror convencionais. Não apresenta
pessoas possuídas por demônios, não se trata de um fantasma cujo proposito é
atormentar e matar, se possível, os personagens ou ainda não está limitado a outras tendências muito utilizadas
no gênero. Sim, o filme é um verdadeiro divisor de opiniões, catalisando alguns debates realmente interessantes: muitos odeiam,
entretanto uma grande parte ama – e eu me incluo nesse grupo.

Primeiro, gostaria de dizer que todos aqueles
que entendem do gênero vão declarar sem titubear que Olhos Famintos é um clássico do terror,
uma vez que seus elementos são enraizados dos grandes filmes de terror dos anos
70 e 80, passando até mesmo a servir de inspiração para filmes de terror
posteriores, incluindo uma clara alusão a um dos episódios da série de televisão Supernatural.


O filme foi produzido por Francis
Ford Coppola, o que deve ser altamente considerado. 
A trilha sonora do filme é muito boa, compactando
com a sensação de apreensão que surge ao longo do filme. A história é muito bem
tecida, afastando-se de todo clichê possível: como supracitado, não é uma
história de exorcismo e tampouco de fantasmas. Os efeitos especiais são
aceitáveis e é, inegavelmente, um filme bem filmado, não tendendo a enrolações na
sua uma hora e meia de duração, diferentemente do que estamos acostumados com a
grande maioria desse tipo de filme.



Olhos Famintos foi feito com baixo orçamento,
no entanto tem uma qualidade de roteiro melhor do que grandes produções hollywoodianas,
independentemente se abordam o tema sobrenatural ou não. Não há o que dizer de
ruim da primeira metade do filme, mas a segunda é justamente a que faz aquela
parcela de pessoas que assistiram o odiar. Porém há uma explicação minha gente:
o filme foi feito com baixo orçamento, a carnificina na delegacia não estava
nos planos de Victor Salva, contudo, como faltou dinheiro para o que ele tinha
em mente, e como tinha que terminar o filme, precisou coloca-la. 
Os atores foram bem escolhidos e o terror
gravado no rosto
dos irmãos Trish, sobretudo em Darry (Justin Long), é de fato um
dos fatores que aliam a tenção – os outros fatores é aquela música apavorante,
cuja é o tema do filme e o próprio caminhão dirigido pela criatura, tão assustador quanto a própria.

Um ponto negativo é que não há muita
explicação. O filme apenas se desenrola, nos faz engolir que aquilo está
acontecendo porque deve ser assim e apenas ascende a curiosidade por trás da história do antagonista indestrutível. A continuação do filme falhou por não explicar isso e
por ter abandoado o foco e os conceitos que fizeram muitos gostarem do primeiro
filme. Victor Salva prometeu uma continuação que, em meio há tantos anos já passados,
não saiu. Disse, ainda, que em Olhos Famintos 3: Catedral, iríamos entender o
passado da criatura e o futuro de alguns dos personagens que apareceram nos
dois primeiros filmes, incluindo a própria Trish (Gina Philips).


Enfim, é um bom filme de terror que não tende
a ser repetitivo e, decerto, vale a pena assistir. Claro, foi lançado em uma
época em que as pessoas não eram acostumadas com efeitos especiais e outras
apelações cansativamente usadas no gênero – que realmente não dão certo –,
então para aqueles que optam por assistir os famosos casos de possessões
demoníacas que andam se reproduzindo ultimamente, assistam com outro olhar e não julguem Olhos Famintos.

NOTA: 8

TRAILER:


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